Francisco César acusa República de manter agricultores presos a promessas

PS Açores - Há 2 horas

O Presidente do PS/Açores, Francisco César, criticou esta quarta-feira a nova subida do preço dos combustíveis nos Açores, com particular impacto no setor agrícola, sobretudo em época de colheita de milho e novas sementeiras, lembrando que os agricultores açorianos continuam, ao mesmo tempo, à espera de cerca de 26 milhões de euros em apoios prometidos.

A partir de 1 de setembro, o gasóleo agrícola passa a custar 1,585 euros por litro, mais 16,3 cêntimos do que em agosto, num novo agravamento dos custos de produção para um setor que continua a enfrentar fortes pressões financeiras.

“Quando é para aumentar, é já. Quando é para pagar aos agricultores, nunca mais chega. A partir de setembro, o gasóleo agrícola sobe 16,3 cêntimos por litro, a associar a esse problema os agricultores continuam à espera de cerca de 26 milhões de euros que lhes foram prometidos. Isto é cada vez mais difícil de aceitar e para os agricultores mais difícil de suportar”, afirmou Francisco César.

O Presidente do PS/Açores recordou que tem vindo há meses a alertar para o impacto da subida dos combustíveis e dos fatores de produção na agricultura açoriana, defendendo medidas concretas para aliviar os custos suportados pelo setor.

“Há meses que venho a dizer que o aumento dos combustíveis está a atingir diretamente a agricultura açoriana. Os agricultores sentem esses aumentos todos os dias, no gasóleo, nos fertilizantes, nas rações e nos restantes custos da exploração. O que não podem é continuar a ouvir promessas enquanto as despesas aumentam e os apoios não chegam”, afirmou.

Em causa estão cerca de 23 milhões de euros inscritos no Orçamento do Estado e até três milhões de euros destinados a compensar o aumento dos custos com combustíveis e fertilizantes, verbas que continuam por transferir para a Região.

Para Francisco César, a nova subida do gasóleo agrícola torna ainda mais urgente o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo da República.

“Quando o combustível aumenta, o agricultor paga imediatamente. Quando é o Governo que tem de pagar aquilo que prometeu, passam-se semanas e meses sem uma resposta concreta. As pessoas estão fartas de anúncios, de justificações e de promessas. Querem que os compromissos sejam cumpridos”, sublinhou.

O líder socialista considerou ainda insuficiente que o Governo Regional se limite a reconhecer que as verbas continuam por chegar, defendendo uma posição mais firme na defesa dos agricultores açorianos.

“O Governo Regional tem de deixar de ser apenas o mensageiro dos atrasos. Tem de exigir, com firmeza, que o Governo da República cumpra. Os agricultores não querem assistir a uma troca de responsabilidades entre governos. Querem saber quando é que recebem aquilo que lhes foi prometido”, afirmou.

Francisco César voltou, por isso, a exigir uma data concreta para a transferência das verbas e garantiu que continuará a utilizar todos os instrumentos políticos e parlamentares ao seu dispor para pressionar pela resolução da situação.

“Já exigimos estes pagamentos várias vezes e vamos continuar a fazê-lo enquanto o dinheiro não chegar. Não vamos aceitar que, de cada vez que os custos aumentam, sejam sempre os agricultores a suportar o impacto, enquanto os apoios públicos ficam presos em promessas e atrasos”, declarou.

O Presidente do PS/Açores defendeu ainda que a nova subida dos combustíveis deve obrigar o Governo Regional a reavaliar as medidas de mitigação dos custos energéticos, em particular para os setores mais expostos.

“A agricultura açoriana não pode continuar a absorver sucessivos aumentos sem uma resposta à altura. É preciso proteger quem produz, garantir que os apoios chegam e impedir que mais uma vez sejam os agricultores a pagar a fatura da inação dos governos”, concluiu Francisco César.